Ficou olhando para a cena. Uma daquelas tantas que faziam seu interior revirar-se! Quando via coisas assim, ficava enojada dos seres humanos. Como era possível alguém se dizer “humano” sendo capaz de cometer tamanha atrocidade? Como era possível alguém que se dizia humano, matar outro ser humano ou mesmo um animal por simples diversão? Exercícios! De fato,não fora talhada para este mundo, esta realidade. Mas também não era nenhuma Madre Teresa, capaz de mudar com simplicidade a realidade à sua volta. Revoltava-se, mas não tinha o idealismo de uma mártir! Ou uma Joana D’Arc,Santa Rita, Zilda Arns ou qualquer dessas mulheres que haviam feito história na luta pelo outro. Sua vida era mais simples, mais pacata e até porque não dizer? Mais egocêntrica! Ainda assim, olhar ao redor e ver o que um ser humano fez com o outro, ao longo da história ou na atualidade sempre provocava dores!
Há tempos que o centro do seu mundo era o mesmo... E não é que não quizesse mudar. Queria. Mas parecia-lhe impossível. Os dias sucedendo-se sem graça. O corpo, a mente... Nada correspondendo ao que queria de fato. A percepção da realidade em volta. A perda das pessoas que já haviam sido tão importantes. Fantasmas perdendo-se nas brumas da vida, ficando para trás. Havia sido tão fácil ser idealista um dia, há muitos anos atrás... Tudo parecia perdido agora. E era difícil continuar, manter valores que pareciam tão desacreditados. Era difícil acreditar em si, lutar ainda por sonhos que não conseguira realizar e que pareciam desmoronar a cada dia como castelos de vento. Sonhar? Sonhar como, se a realidade era tão real, que não deixava qualquer alternativa a não ser pisar o chão e caminhar? E os deboches? As palavras duras de uns como se de fato não conhecesse o quanto a vida podia ser madrasta e madrinha? Como se o que precisasse fosse de chamadas de atenção à realidade e não de um copo de sonho? Uns poucos momentos de tinta colorida para quebrar a monotonia das cores cinzentas? Não queria mais palavras reais. Não queria mais ser apresentada a realidades... Não precisava disto. Sabia muito bem olhar em volta com seus próprios olhos, conhecer as dores dos outros, tentar ajudá-los a cada dia superar suas dificuldades.Chorar com eles incansavelmente. Estender mãos, pés, corpo se necessário fosse para que pudessem levantar, caminhar, produzir, ser feliz! Mas...Haveria alguém que fizesse o mesmo por si? Somente? Sem cobranças. Sem meias palavras. Queria falar? Que dissesse palavras inteiras como ela sempre fizera. Odiava os recadinhos mal acabados. As agulhadinhas, as indiretas. Queria dizer algo? Palavras inteiras! Frase diretas! Isto, ou simplesmente um copo de fantasias...

Ainda que zombem,debochem,duvidem
Creio firmemente, não foi ilusão
Aquela presença em passado contíguo
Que me agrilhoou mente e coração.
Senti sua presença criando contatos
Tocou-me, cheirou-me e me observou
Deixando que a mente confusa buscasse
A luz que por certo não me alumiou!
E quando eu entregue já me confiava
Partiu desligando toda conexão
Deixando que lágrimas em dias sem fim
Brotassem de mim em total profusão.
Por quê? Pergunto-me e não acho resposta
Bobagens, tentames ou simples aposta?
Será que alguém que tem carne e ossos
Merece viver sob o escárnio vosso?( Emanuela -15.04.2009)
Música: http://www.youtube.com/watch?v=-iEId2vmb
Imagem: http://2.bp.blogspot.com/_badCXs58XNA/R1
Em nenhum momento deixou o costume
Daquela visitação que fazia
Embora,encontrando a casa vazia
Tornasse sempre ao negro queixume!
Sonhar,também já o tempo passara
Nenhum qualquer sonho se realizara
E passa,o tempo que passa
Para trás esperança,vira pó...ou fumaça!
Vazio! Lágrimas também já não há
O que era brilho escureceu
O tempo se foi,a girar
E da fantasia enfim,se esqueceu!
(Emanuela - 25.11.2009)
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Talvez eu seja uma dessas pessoas “média”, como muita gente gosta de se referir aqueles que não tiveram as mesmas oportunidades de conhecimento, ou aqueles que não nasceram gênios, aqueles que se conformam com algumas das verdades ensinadas por não perceber, muitas vezes , o motivo para inverter tudo e arrumar ainda mais problemas ao invés de soluções num mundo já tão confuso. Talvez eu seja até mesmo uma “mulher da idade média” em alguns momentos da minha vida, sei lá. O que sei é que, em muitas coisas , penso como mulheres muito, muito antigas.
Hipácia de Alexandria, que viveu entre . 370 d.C - 415 d.C. dizia: "Todas as religiões dogmáticas formais são falaciosas e nunca devem ser aceitas como palavra final por pessoas que respeitem a si mesmas." Mesmo professando com acuidade uma fé que me foi ensinada desde antes do ventre materno, nunca deixei de ter meus questionamentos, de buscar respostas a eles. E o pouco que minha mente foi se expandindo através das respostas que encontrei, sempre procurei viver de maneira autêntica. É claro que não saio por aí oferecendo minha carne aos lobos, porque também aprendi nas escrituras: “Sede mansos como as pombas e astutos como as serpentes...”. Procuro viver mansa, harmoniosamente, em comunhão com a vida que considero verdadeira, mas tendo cuidado de não pisar em alguns tantos lugares. Não é o que vejo hoje na maioria das mulheres que se dizem tão no seu tempo. Me parece que pisam em qualquer terreno, e quanto mais se dizem “feministas”, na realidade mais servem ao machismo que impera e continua a cada dia a tomar mais e mais terreno no mundo, com a omissão e a conivência de nós mulheres. Porque há muitas coisas em que, ao invés de nos valorizarmos, damos mais e mais poder de dominação ao homem. Este não é um discurso feminista. É um discurso de igualdade e valorização real de nós mulheres. E valorização dos homens. Porque uns sem os outros são pouco. Mas hoje, mais do que nunca, simplesmente parecemos usar uns aos outros. Parece que perdemos o significado da palavra “amar”. Tudo parece banalizado. Talvez porque, onde há torneiras de leite jorrando continuamente, já ninguém precisará adquirir vaca alguma. E isto vale para os dois lados. (Emanuela - 08.06.2008 -00:01hs - Obs:Faz tanto tempo que escrevi isto... Mas lembro tão bem aqueles dias, como se fossem hoje! Um ótimo tema para pesquisar: Hipácia de Alexandria ).
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